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A disseminação do teletrabalho

Por Dr. Luís Almeida Carneiro, Partner Espanha & Associados

A emergência de saúde pública de âmbito internacional causada pela doença COVID -19 disseminou o teletrabalho. Esta foi uma consequência imediata da pandemia gerada pela necessidade de proteção em relação à doença.

Não se assiste a uma disseminação homogénea do teletrabalho na medida em que o mesmo não constitui uma opção generalizável. Os sectores primário e secundário são, em regra, menos adaptáveis ao teletrabalho, ao contrário do que acontece no sector dos serviços.

O teletrabalho apresenta várias vantagens nomeadamente maior capacidade de concentração do trabalhador, definição pelo trabalhador do seu ritmo de trabalho, redução de custos de deslocação, sustentabilidade, redução de stress e maior disponibilidade para a família. Não obstante a unanimidade verificada em torno das vantagens do teletrabalho, o mesmo era muito pouco utilizado, embora, nas atividades que o podiam adotar, os trabalhadores tivessem o equipamento, as competências e os meios necessários para realizarem as suas tarefas em teletrabalho.

A pouca adesão, sobretudo das organizações, ao teletrabalho num mundo digital era um dos paradoxos da forma como o trabalho era prestado.

Em dois meses, o teletrabalho passou de uma solução considerada de significativo potencial e encerrando várias vantagens para uma solução, efetivamente, implementada.

O primeiro passo está dado e foi dado ao mesmo tempo em todo o mundo, o que se afigura um facto disruptivo.

Sendo a generalização do teletrabalho uma imposição de contexto, o mesmo poderá regredir na proporção da regressão da pandemia, o que é expectável num primeiro momento.

O aumento voluntário, planeado e estratégico do teletrabalho poderá alicerçar-se nesta experiência se for dado um segundo passo que permita demonstrar (ou não) que a produtividade em teletrabalho é idêntica ou superior à produtividade em contexto organizacional.

A mudança de paradigma só poderá alicerçar-se na demonstração da eficiência do meio e da sua adequação.

A experiência generalizada de teletrabalho é uma realidade. Elementos de estudo não faltam nestes dois meses. Aguardemos o trabalho da academia relativamente à análise dos dados, bem como as conclusões dos gestores quanto à experiência e poderemos estar perante o início de uma mudança estrutural e não de uma tendência conjuntural. O futuro dirá.

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