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António Nunes, presidente do Conselho de Administração da Nucase, conta à Revista da Associação Empresarial do Concelho de Cascais que, em 1978, com a reforma fiscal, houve um incremento na burocratização das empresas. Por isso, com outro sócio-fundador decidiram abrir um pequeno gabinete de contabilidade. Os passos para uma evolução orgânica foram dados e apesar das diferentes crises, a Nucase está no top três das empresas de contabilidade no país.

1. Fale-nos um pouco do seu percurso profissional até este momento?
O meu percurso profissional foi iniciado no ano de 1972/73 e o empresarial em 1978. Tive sempre apetência para a gestão empresarial nas diversas vertentes e assim aconteceu durante todos estes anos, onde a componente humana esteve sempre presente como principal enfoco. A minha grande motivação foi sempre construir algo que contribuísse para produzir valor e riqueza, como forma de ajudar o desenvolvimento económico em geral, e as pessoas, clientes e colaboradores, em particular, tentando encontrar soluções que contribuíssem para a sua realização pessoal, profissional, e empresarial. Efectivamente foram muitos anos de muita luta, visando sempre o caminho que estrategicamente a cada momento foi sendo delineado e ajustado à realidade das actividades e exigências empresariais e das tarefas e obrigações legais que fazem parte da nossa missão.

Efectivamente hoje orgulho-me de liderar uma organização que conta com mais de 150 colaboradores  e 5 escritórios distribuídos pela zona da grande Lisboa. Entre outros desafios, e que são muitos, iniciei a tarefa da transição geracional para os meus dois filhos que activamente já fazem parte da organização, e que espero e desejo sejam a  continuidade com a missão de enfrentar a forte mudança estratégica exigida pelo mundo moderno focado na inteligência artificial, onde necessariamente  a Nucase se vai posicionar, não só como empresa de contabilidade, mas fundamentalmente como empresa de consultoria com abrangências multidisciplinares para responder  aos novos desafios das diversas áreas da gestão .

2. Participa ativamente em várias Associações. As realidades, oportunidades/ ameaças são transversais ou há grandes discrepâncias consoante as áreas geográficas e os sectores de atividade?
São transversais em todas as áreas geográficas e sectores de actividade, as ameaças são mais relevantes do que as oportunidades e o papel das associações no sector empresarial tem vindo a ser esvaziado por variadíssimas razões, particularmente pelo pouco envolvimento e participação dos associados e do quase inexistente apoio do poder político.

3. No seu entender, que retrato nos pode fazer do tecido empresarial do concelho de Cascais?
O tecido empresarial do Concelho de Cascais aparentemente do ponto de vista macro, tem melhorado, mas na realidade, com excepção das actividades ligadas ao turismo e construção, as dificuldades persistem face a vários factores, nomeadamente a forte concorrência da grande distribuição e a falta de projectos de investimento relevantes, qualquer que seja a área económica.

4. Como vê o papel das Associações no contexto económico nacional?
Na minha opinião o papel das associações têm perdido peso porque as não têm as condições técnicas nem operacionais, nem tão pouco apoios ou incentivos políticos, para prestar serviços relevantes e de forma adequada aos associados. Tirando algumas actividades que concorrem com o mercado, pouco mais podem oferecer. Esta situação é preocupante porque as associações têm um papel muito importante na sociedade empresarial particularmente no seu desempenho de proximidade para a defesa e até da regulação das actividades do ponto de vista da relação com o poder político, estrutural a nível das actividades económicas e do emprego em geral.

5. Qual o futuro do Associativismo?
Francamente não me parece risonho, as associações têm que se reinventar para criar valor aos seus associados, e nos tempos de alta competição em que vivemos, não é fácil encontrar soluções.

6. Enquanto dirigente associativo já teve certamente frustrações. Consegue apresentar-nos algumas?
Sim, as maiores frustrações têm a ver com a participação dos associados nas diversas iniciativas associativas, incluindo assembleias gerais ou actos eleitorais, que na maioria dos casos é quase inexistente e isso é motivo de grande frustração, particularmente para os órgãos sociais que tentam graciosamente e em prejuízo do seu tempo pessoal ou profissional dar o seu melhor em prol dos interesses dos associados.

7. Por último, que mensagem gostaria de deixar aos empresários do concelho?
Os empresários têm que perceber o mundo actual que está em forte mudança e ajustarem-se rapidamente às novas tendências do mercado, nomeadamente no que respeita à modernização do tecido empresarial para atrair clientes e corresponder às exigências cada vez mais sofisticadas dos consumidores.

No que respeita ao associativismo, terá que existir um maior esforço dos empresários na aproximação e na participação das iniciativas e nas exigências com críticas e sugestões que valorizem e facilitem as actividades e políticas empresariais.

Leia o artigo original na revista da Associação Empresarial do Concelho de Cascais, aqui.

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